Pálpebras caídas, tratamento nem sempre é estético

 

Há diferentes causas de origem da ptose e os tratamentos são específicos a cada uma delas. É aconselhável buscar orientação de um oftalmologista especializado em plástica ocular.

Brasília, 18/6/2012 – A ptose, mais conhecida como pálpebra caída, pode se manifestar a qualquer idade e trata-se de uma enfermidade da musculatura de elevação das pálpebras, o que extrapola a questão estética e merece muita atenção. As causas que levam à pálpebra caída são de diferentes origens e pode indicar uma disfunção neurológica. Quem faz o alerta é a oftalmologista do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), Patrícia Moitinho (CRM 15368/DF).

A especialista afirma que as pálpebras caídas, em alguns casos, prejudicam o campo visual e, em crianças, acarretam o risco do não desenvolvimento correto da visão. “Deve ser feita uma avaliação precoce para identificação e acompanhamento”, sublinha.

Há diferentes situações que têm como consequência a queda das pálpebras:

Involucional – É a mais frequente, causada pelo enfraquecimento do músculo elevador das pálpebras, por um processo de envelhecimento, leva à queda progressiva.

Mecânica – Caracteriza-se pelo excesso de pele nas pálpebras ou tumoração muito grande que leva ao comprometimento do campo de visão.

Neurológico - A médica do HOB explica que “a miastenia gravis é uma doença neurológica, a qual pode refletir-se em diferentes músculos do corpo, as pálpebras estão nesta relação e quando são afetadas, também levam à  queda palpebral“. Trata-se de uma enfermidade neuromuscular que causa fraqueza e fadiga anormal dos músculos voluntários, como os da pálpebra. A fraqueza é causada por um defeito na transmissão dos impulsos dos nervos para os músculos. Com isso, o paciente perde o controle da pálpebra e não consegue abrir os olhos, esclarece. “Os sintomas são sutis, com pequenas fraquezas musculares e o primeiro sinal pode ser justamente a ptose. Em alguns casos vem associada à visão dupla (diplopia) e ao estrabismo”, completa.

Segundo Patrícia, ao diagnosticar a ptose como uma consequência de enfermidades neurológicas, o profissional oftalmologista encaminha o paciente a um neurologista e este profissional irá realizar o tratamento.

Congênita – Existe a probabilidade de acontecer a ptose congênita. Essa, resulta da falta de desenvolvimento do músculo elevador da pálpebra e seu tendão durante a gestação. Nestes casos, deve-se ter cuidado com o desenvolvimento da visão nas crianças, aconselha a médica.

O principal tratamento aplicado à ptose é direcionado a sua causa. Quando de origem neurológica o tratamento deverá ser feito pelo neurologista. Nos casos de ptose congênita e também as que aparecem com a idade, a correção é feita com o reposicionamento do músculo elevador das pálpebras.

Patrícia Moitinho explica que o procedimento é realizado em torno de uma hora e visa corrigir a postura do músculo da pálpebra, que muitas vezes se encontra apenas desinserido de sua posição original.

“O pós-operatório, nos primeiros dias, apresenta uma sensação de incômodo ao piscar devido ao edema palpebral e fechamento incompleto das pálpebras, depois normaliza”, descreve.

Conforme a médica do HOB, os casos indicados para cirurgia são aqueles de perda de campo visual, os de sensação de peso durante a leitura e também nos casos que requerem melhora estética.

“É importante que o oftalmologista especializado em plástica ocular seja o responsável por essa cirurgia já que conhece muito a anatomia do olho, órbita e anexos. Além de ter a extrema preocupação em manter a fisiologia do piscar, fechar bem os olhos, e evitar ressecamentos graves no futuro”, adverte.